Circuito Cultural encerra programação com debates sobre cordel e podcast

A representatividade da mulher na literatura de cordel e o crescimento do podcast como plataforma e possibilidades de negócios são atrações deste domingo (11) no Circuito Cultural Digital de Pernambuco. Iniciativa da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) com curadoria da Fundação Gilberto Freyre, o evento é exclusivamente on-line, gratuito e para todas as idades. A segunda etapa do Circuito termina neste domingo, mas a programação retorna em novembro, com novas atividades.

Para acompanhar as duas lives basta acessar o portal do Circuito (www.circuitoculturalpernambuco.com.br). A temática do cordel será conduzida pela médica, escritora, compositora e cordelista Paola Tôrres e pela escritora, poeta e cordelista Jarid Arraes, com mediação de Érika Montenegro, às 11h. Pernambucana radicada no Ceará há 25 anos, Paola Tôrres criou em 2019 a Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel nas dependências da Universidade de Fortaleza (Unifor), onde é professora de medicina. Ela também leciona na Universidade Federal do Ceará.

De acordo com Paola Tôrres, a paraibana Maria das Neves Baptista Pimentel (1913-1994) foi a primeira mulher brasileira a publicar um cordel, mas teve de utilizar uma identidade masculina para poder fazê-lo. O folheto intitulado O violino do diabo ou o valor da honestidade, de 1938, estava assinado com o pseudônimo Altino Alagoano, nome do marido da cordelista. “Ela escreveu vários cordéis que eram vendidos na feira por seu marido. Morreu sem nunca ser reconhecida por seu inestimável papel na cena do cordel brasileiro”, declara a médica.

A cordelteca, diz ela, “tem o papel de elevar o cordel ao seu papel de destaque na Literatura e na Cultura Popular e também homenagear não só Maria das Neves, mas todas as mulheres cordelistas, que vem lutando por um reconhecimento do seus trabalhos e das suas obras.” Maria das Neves era filha do proprietário de uma das primeiras tipografias de cordel na Paraíba. Mas apenas na década de 1970 as mulheres conseguiram publicar os folhetos sem se esconder atrás de nomes de homem.

Paola Tôrres foi eleita em 2020 para a cadeira número 38 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), antes ocupada pelo cantor, compositor e poeta Moraes Moreira, falecido em abril último. “Comecei a publicar cordel em 2010 com o objetivo de educar e sensibilizar pessoas; chamando atenção para os grandes temas e desafios da medicina”, informa. A poeta cearense Jarid Arraes mora em São Paulo e tem mais de 70 títulos publicados em literatura de cordel, entre eles Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis.

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