Coordenador da ONG Sabia inicia série de visitas pelo Agreste de Pernambuco

A ONG Sabiá acumula quase 30 anos de trabalhos em quatro regiões do estado de Pernambuco mas tem no Agreste uma relação especial: foi no município de Bom Jardim que foram realizados os primeiros projetos ligados à agroecologia e convivência com o semiárido, principais bandeiras da organização. De olho nessa perspectiva de olhar para o passado e planejar o futuro, o coordenador da ONG, o biólogo Alexandre Pires, iniciou nesta quinta, 10/3, uma série de visitas pela região. Quinze municípios serão contemplados até o fim de março: além de Panelas, Cupira, Garanhuns e Ibirajuba, que compõem a primeira etapa da visita, Caruaru, Agrestina, Jataúba, Taquaritinga do Norte, Vertentes, Casinhas, João Alfredo, Riacho das Almas, Frei Miguelinho, Santa Maria do Cambucá e São Caetano serão as próximas cidades visitadas. 

“Ir aos territórios para conversar com nossa equipe e com as famílias agricultoras percebendo os impactos do trabalho na vida das pessoas é fundamental para reafirmarmos nossas estratégias, mas também para sentir quais são as novas demandas”, explica o biólogo. Na pauta, além de conversar com as comunidades e conferir de perto as peculiaridades de cada projeto, Alexandre também pretende fazer visitas institucionais a prefeituras e organizações que possam vir a ser parceiras da ONG. Ao longo de quase 30 anos os mais diversos projetos foram realizados, como assistência técnica e a extensão rural (ATER), sistemas de reúso de águas cinzas e agroflorestas (RAC e SAF, respectivamente), Jovens Multiplicadores/as da Agroecologia, Feiras Orgânicas, Casa de Sementes, Roçado Comunitário e Cisternas, inclusive cisternas calçadão e cisternas nas escolas.


A visita de Alexandre Pires deve durar até o fim de março. Além do Centro Sabiá, o biólogo também coordena a Articulação no Semiárido Pernambucano (ASA/PE), rede que desenvolveu o programa de cisternas adotado pelo Governo Federal, ação que infelizmente vem sendo desmontada desde o governo Temer: após o recorde de 111 mil e 106 mil cisternas em 2013 e 2014, respectivamente, ano após ano a construção dessas tecnologias no semiárido vem caindo, até atingir o número pífio de menos de 3 mil em 2021. “Lamentavelmente temos vivido um apagão das políticas públicas para as populações rurais. Ainda há uma demanda de 350 mil cisternas para atender agricultores, quilombolas e indígenas, principalmente. Em Pernambuco são 38 mil famílias que ainda não têm as tecnologias”, destaca.

Inclusive há uma campanha solidária estrelada por Gilberto Gil, “Tenho Sede, para quem puder ajudar as organizações a reunirem recursos. Esta é uma alternativa da ASA para seguir construindo mais cisternas pelo semiárido, já que o recurso federal está parado. Se você puder ajudar com qualquer quantia acesse o site tenhosede.org.br e participe.

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